quinta-feira - 18 julho 2019

Vandalizado pelo Estado Islâmico, túmulo de Jonas confirma relato bíblico em Nínive

Vandalizado pelo Estado Islâmico, túmulo de Jonas confirma relato bíblico em Nínive

Inscrições extraordinárias de 2.700 anos foram descobertas sob o túmulo de Jonas, que foi vandalizado pelo Estado Islâmico, quando eles invadiram a cidade de Nínive em 2014.

As incríveis inscrições se referem ao rei assírio Assaradão (filho de Senaqueribe), que é citado na Bíblia em II Reis 19:35-37. A tradução da inscrição diz: “O palácio de Assaradão, rei forte, rei do mundo, rei da Assíria, governador de Babilônia, rei de Suméri e Akkad, rei dos reis do Egito inferior, alto Egito e Kush [um antigo reino localizado ao sul do Egito na Nubia]”.

De acordo com inscrições antigas encontradas em outros sítios arqueológicos, os líderes da civilização Kush governaram o Egito. As inscrições mais recentes detalham que o rei Assaradão derrotou os governantes Kush e escolheu novos governantes para governar a nação.

Outra inscrição encontrada sob o túmulo de Jonas diz que o rei “reconstruiu o templo do deus Aššur [o deus principal dos assírios]”, as antigas cidades da Babilônia e Esagil e “renovou as estátuas dos grandes deuses”.

As inscrições revelam alguns fatos sobre a história familiar de Assaradão, dizendo que ele é de fato foi filho de Senaquerib [reinado 704-681 aC] e descendente de Sargão II (reinado 721-705 aC), que também era chamado de “rei do mundo”.

As inscrições não são a única descoberta de que o Estado Islâmico levou inadvertidamente os pesquisadores para baixo do túmulo. No ano passado, como os arqueólogos avaliaram o extenso dano causado pelos militantes, eles encontraram um vasto palácio datado de 600 aC.

“Eu nunca vi algo como isso gravado em rochas neste tamanho grande”, disse a Professora Eleanor Robson, presidente do Instituto Britânico para o Estudo do Iraque, ao Telegraph na época. “Os objetos não combinam com as descrições do que pensávamos estar lá, então a destruição do túmulo pelo Estado Islâmico nos levou a um achado fantástico”.

“Há uma grande quantidade de história lá, não apenas pedras ornamentais. É uma oportunidade para finalmente mapear o tesouro do primeiro grande império do mundo, do período de seu maior sucesso”, acrescentou.

Ex-curadora do museu de Mosul, a Sra. Salih, que supervisionou uma equipe de cinco homens que realizou o trabalho, disse que acredita que o Estado Islâmico tenha saqueado centenas de objetos que estavam no fundo do túmulo, antes que as autoridades recuperassem a cidade de Nínive.

“Eu só posso imaginar o quanto Estado Islâmico descobriu lá antes da nossa chegada”, disse ela ao Telegraph por telefone de Mosul. “Nós acreditamos que eles levaram muitos dos artefatos, como cerâmica e peças menores, para vender no mercado negro. Mas o que eles deixaram será estudado e acrescentará muito ao nosso conhecimento sobre o período”.
FONTE: GUIAME, COM INFORMAÇÕES DO TELEGRAPH

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