terça-feira - 16 outubro 2018

Pastor batiza 35 indígenas no Mato Grosso e recebe críticas na internet

Pastor batiza 35 indígenas no Mato Grosso e recebe críticas na internet

O pastor Samoel Maia celebrou o batismo de 35 índios nas mídias sociais, mas recebeu diversas críticas por causa do trabalho de evangelização da Igreja Universal do Reino de Deus na comunidade indígena de Barra do Garças, no Mato Grosso.

O pastor publicou três fotos em seu Facebook em 31 de dezembro, afirmando que naquele dia “35 indígenas se entregaram ao Senhor Jesus”. Os comentários, no entanto, foram de crítica ao trabalho de evangelismo e defesa da imposição cultural aos indígenas.

“Sei que fazem essas catequizações por amor, mas isso acaba destruindo os costumes e as crenças de um povo complemente conectado com Deus e com a mãe terra. Um povo que está aqui antes de nós e que cuidou desse país para que possamos chegar onde estamos”, disse uma das usuárias da mídia social.

“A cultura dos indígenas é ancestral!!! Sua ancestralidade está nas suas origens junto a natureza! Catequizar é tirar a liberdade de um povo e sua cultura, seus costumes e tradições! Salve o povo originário da floresta!”, alegou outra.

“Que absurdo! Estão doutrinando os nativos e os escravizando na religião. Muito triste. Eles cultuam um Deus verdadeiro,que habita dentro deles, a Natureza. Eles ouvem e falam com o divino desde sempre,agora vcs estão os envenenando com mentiras escritas num papel que tudo aceita!”, acrescentou outra.


Cerca de 35 indígenas foram batizados no município de Barra do Garças, no Mato Grosso. (Foto: Reprodução/Facebook)

A reação contra o trabalho evangelístico entre índios acontece poucos meses depois de o pastor Isac Santos ser denunciado ao Ministério Público Federal, após batizar um grupo de indígenas xavantes no Mato Grosso.

No Brasil, a atual população indígena é de 817.963 pessoas, segundo resultados preliminares do Censo Demográfico realizado pelo IBGE em 2010, dos quais 502.783 vivem na zona rural e 315.180 habitam as zonas urbanas brasileiras. Os indígenas representam 305 diferentes etnias e falam 274 línguas — cerca de 17,5% da população indígena não fala a língua portuguesa.

Apesar das dificuldades legais e culturais, o ex-presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Antônio Costa, apoia as atividades religiosas em aldeias e encara grupos missionários como importantes parceiros da organização. “O país está crescendo, mudando. Geralmente a iniciativa de buscar as igrejas parte dos indígenas”, disse ele à BBC Brasil.

Costa acredita que assim como todas as pessoas na sociedade, os índios também têm o direito de escolha em relação à espiritualidade. “Todas as instituições religiosas que seguem a palavra de Deus têm de buscar pessoas que venham a conhecer a palavra de Deus. Por que os índios não, se é a vontade deles? Eles preservam a cultura, mas estão louvando a seu Deus. Para nós, não é interferência. A Funai, hoje, diante da dificuldade que tem, não pode ser dar ao luxo de não querer parcerias”.

FONTE: GUIAME

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